Sobre a Kahal Kadosh Sha'are Shalom
A Esnoga Kahal Kadosh Sha'are Shalom dá-lhes as boas-vindas! Este é um espaço dedicado à preservação e à difusão da herança histórica, religiosa e cultural dos Judeus Hispano-Portugueses do Rio de Janeiro. Mais que um local de Santo Serviço, esta Qehilah é a única Esnoga Hispano-Portuguesa da América do Sul, comprometida com o estudo rigoroso da tradição, a manutenção de costumes centenários e a perpetuação dos valores que definem nossa identidade coletiva.
A Nossa História
SÉCULO XX
Neste início de século XX seguiu-se com uma grande imigração de judeus rumo ao Brasil, das mais diversas localidades tanto do Norte da África, quando do Oriente Médio e, principalmente da Europa. Foi um período em que muitas sinagogas foram erguidas no Rio de Janeiro, para representar os costumes destas comunidades recém surgidas. Eram francesas, alemãs, libanesas, sírias, russos, poloneses e lituanos. A vida judaica se fundamentava na Praça Onze, no Centro do Rio de Janeiro, que a esta época ganhou o caráter de bairro judeu, devido ao número de israelitas que abrigava.
Este foi um período em que a comunidade ashkenazi cresceu com muita força na cidade, e embora permanecêssemos presentes, boa parte dos nossos tinha sido destruída pela Inquisição, o que fez com que muitos se unissem à sefarditas de outras localidades para dar continuidade à tradição. Muitas sinagogas foram erguidas pelas forças dos nossos, que sempre foram avessos à movimentos liberais ou reformistas.
Nas cadeiras das mesmas encontramos os nomes dos nossos: Oliveira, Siqueira, Salgado, Pinto, Peres que ficaram imortalizados pelo desejo de manter vida a tradição Sefaradi Tahor. Com o andar do século foi sugindo nestes judeus de tradição portuguesa o desejo de se reunificar, numa sinagoga de rito autêntico, da mesma forma que nossos irmãos em Amsterdã, Londres e Nova York, então nossos avós e pais começaram a desenvolver uma forma de tornar isso realidade, cientes de que teriam dificuldades devido a forte mudança que isso representaria no Rio de Janeiro, então começaram a surgir reuniões entre essas pessoas para definir como isso aconteceria.
No nordeste à situação era ainda mais grave, já que muitos lugares careciam de recursos e estrutura para uma vida observante, apesar do esforço mantido pela endogamia, e alimentação baseadas em peixe e vegetais. Muitas então, avós de membros de nosso Kahal vieram para o Rio de Janeiro, à procura de vida melhor e de
modo que pudessem viver de maneira judaica plena. Isso de certa forma causou um choque, pelo fato de muitas sinagogas terem medo de receber tantos judeus de origem portuguesa, que poderiam fazer com que os mesmos perdessem a identidade de suas próprias comunidades.
FIM DO SÉCULO XX, INÍCIO DO SÉCULO XXI
Com essa firmeza de pensamento e ação foi definido que os esnogueiros precisavam estar juntos numa única esnoga como o nosso caráter hispano-português, de forma que não fosse dividido com nenhum outro rito, por mais que fosse considerado Sefaradi. Alguns judeus de nossa origem, como Augusto Bentsur, Yonathan Dias DaSilva-Benayon, Amram Duque, Yoel Sobreira, Ovadiah Rafael, Aharon Ranulfo, David Peres e outros buscavam mobilizar os patrícios nos moldes nossos avôs e avós faziam, e isso foi caminhando para um entendimento.
Também era necessário encontrar uma liderança rabínica inclinada à estes objetivos, para que a comunidade tivesse o caráter necessário que abarcasse os judeus de origem ibérica. Essa figura surgiu através da liderança de Rav Abraham Cohen Z´L, embora de origem turca e radicada nos EUA, ele era fruto de uma família judia
espanhola que tinha fugido para a Turquia após o édito de expulsão dos reis católicos.
Através de um encontro com Bentsur e Benayon, ele se disponibilizou a trabalhar com a comunidade e de fato o fez, instruindo na Halakha e na visão de uma Kehilah com aspecto Sefaradi Tahor. Isso foi dando frutos, na medida em que o relacionamento dos judeus locais com o rabino se expandia, houve formação de rabino de nossa origem, assim como sofer e hazanin que passaram a abrilhantar o trabalho da Kehilah, também foi construída a primeira Mikveh, certificada pelo Rav e sob a supervisão do brilhante Amram Duque.
Houve também um grande crescimento na esnoga, à medida que judeus de nossa origem e que estavam em outras instituições, buscam um lugar para se sentir “em casa”. Quando surge a Shaare Shalom, ela já esta de forma organizada, após breves períodos no bairro carioca de Vicente de Carvalho e no distrito de Nilópolis, ela se instala em definitivo no distrito de São João de Meriti, de onde, infelizmente e tão injustamente foi arrancada à família de Antônio José da Silva, como relatamos antes.
Demos continuidade a nossa tradicional judiaria, onde os esnogueiros podem se reunir e viver o judaísmo segundo nosso rito português, de forma autêntica. De lá para cá, muita coisa mudou, a esnoga cresceu, foram formados novos rabinos, muitos casamentos foram realizados, assim como crianças fazendo berit milah, adolescentes fazendo Bar/Bat Mitzvah, a construção da Mikveh Sobreira, onde as senhoras observam as leis de Taharah Hamispaha, os estudos no Bet Midrash e as tefilot com miniam e a observância do Shabat, Kashrut e Hagim. A certeza maior depois de tudo o que foi feito é a sensação de que estamos honrando nossos antepassados, porque não deixamos a Inquisição nos derrotar, além da certeza de que temos um futuro glorioso pela frente.
DIAS ATUAIS
A KKSS é uma comunidade S&P (sigla proveniente de Spanish-Portuguese, termo em inglês para judeus hispano-portugueses) e é a única desse tipo na América do Sul. Seguimos o rito originário de nossos antepassados, caracterizado pela gravidade no comportamento e pelo uso de vestimentas tradicionais durante o Santo Serviço.
Mantemos também laços de comunicação com a maioria das comunidades S&P ao redor do mundo, incluindo nossa Esnoga Mãe, em Amsterdã, bem como outras esnogas irmãs na América do Norte e na Europa. Nossos esnogueiros participam ativamente da sociedade do Rio de Janeiro, contribuindo para o desenvolvimento local em diversos setores, como o empresariado, o serviço público, o meio militar e o campo acadêmico.
Neste início de século XX seguiu-se com uma grande imigração de judeus rumo ao Brasil, das mais diversas localidades tanto do Norte da África, quando do Oriente Médio e, principalmente da Europa. Foi um período em que muitas sinagogas foram erguidas no Rio de Janeiro, para representar os costumes destas comunidades recém surgidas. Eram francesas, alemãs, libanesas, sírias, russos, poloneses e lituanos. A vida judaica se fundamentava na Praça Onze, no Centro do Rio de Janeiro, que a esta época ganhou o caráter de bairro judeu, devido ao número de israelitas que abrigava.
Este foi um período em que a comunidade ashkenazi cresceu com muita força na cidade, e embora permanecêssemos presentes, boa parte dos nossos tinha sido destruída pela Inquisição, o que fez com que muitos se unissem à sefarditas de outras localidades para dar continuidade à tradição. Muitas sinagogas foram erguidas pelas forças dos nossos, que sempre foram avessos à movimentos liberais ou reformistas.
Nas cadeiras das mesmas encontramos os nomes dos nossos: Oliveira, Siqueira, Salgado, Pinto, Peres que ficaram imortalizados pelo desejo de manter vida a tradição Sefaradi Tahor. Com o andar do século foi sugindo nestes judeus de tradição portuguesa o desejo de se reunificar, numa sinagoga de rito autêntico, da mesma forma que nossos irmãos em Amsterdã, Londres e Nova York, então nossos avós e pais começaram a desenvolver uma forma de tornar isso realidade, cientes de que teriam dificuldades devido a forte mudança que isso representaria no Rio de Janeiro, então começaram a surgir reuniões entre essas pessoas para definir como isso aconteceria.
No nordeste à situação era ainda mais grave, já que muitos lugares careciam de recursos e estrutura para uma vida observante, apesar do esforço mantido pela endogamia, e alimentação baseadas em peixe e vegetais. Muitas então, avós de membros de nosso Kahal vieram para o Rio de Janeiro, à procura de vida melhor e de
modo que pudessem viver de maneira judaica plena. Isso de certa forma causou um choque, pelo fato de muitas sinagogas terem medo de receber tantos judeus de origem portuguesa, que poderiam fazer com que os mesmos perdessem a identidade de suas próprias comunidades.
FIM DO SÉCULO XX, INÍCIO DO SÉCULO XXI
Com essa firmeza de pensamento e ação foi definido que os esnogueiros precisavam estar juntos numa única esnoga como o nosso caráter hispano-português, de forma que não fosse dividido com nenhum outro rito, por mais que fosse considerado Sefaradi. Alguns judeus de nossa origem, como Augusto Bentsur, Yonathan Dias DaSilva-Benayon, Amram Duque, Yoel Sobreira, Ovadiah Rafael, Aharon Ranulfo, David Peres e outros buscavam mobilizar os patrícios nos moldes nossos avôs e avós faziam, e isso foi caminhando para um entendimento.
Também era necessário encontrar uma liderança rabínica inclinada à estes objetivos, para que a comunidade tivesse o caráter necessário que abarcasse os judeus de origem ibérica. Essa figura surgiu através da liderança de Rav Abraham Cohen Z´L, embora de origem turca e radicada nos EUA, ele era fruto de uma família judia
espanhola que tinha fugido para a Turquia após o édito de expulsão dos reis católicos.
Através de um encontro com Bentsur e Benayon, ele se disponibilizou a trabalhar com a comunidade e de fato o fez, instruindo na Halakha e na visão de uma Kehilah com aspecto Sefaradi Tahor. Isso foi dando frutos, na medida em que o relacionamento dos judeus locais com o rabino se expandia, houve formação de rabino de nossa origem, assim como sofer e hazanin que passaram a abrilhantar o trabalho da Kehilah, também foi construída a primeira Mikveh, certificada pelo Rav e sob a supervisão do brilhante Amram Duque.
Houve também um grande crescimento na esnoga, à medida que judeus de nossa origem e que estavam em outras instituições, buscam um lugar para se sentir “em casa”. Quando surge a Shaare Shalom, ela já esta de forma organizada, após breves períodos no bairro carioca de Vicente de Carvalho e no distrito de Nilópolis, ela se instala em definitivo no distrito de São João de Meriti, de onde, infelizmente e tão injustamente foi arrancada à família de Antônio José da Silva, como relatamos antes.
Demos continuidade a nossa tradicional judiaria, onde os esnogueiros podem se reunir e viver o judaísmo segundo nosso rito português, de forma autêntica. De lá para cá, muita coisa mudou, a esnoga cresceu, foram formados novos rabinos, muitos casamentos foram realizados, assim como crianças fazendo berit milah, adolescentes fazendo Bar/Bat Mitzvah, a construção da Mikveh Sobreira, onde as senhoras observam as leis de Taharah Hamispaha, os estudos no Bet Midrash e as tefilot com miniam e a observância do Shabat, Kashrut e Hagim. A certeza maior depois de tudo o que foi feito é a sensação de que estamos honrando nossos antepassados, porque não deixamos a Inquisição nos derrotar, além da certeza de que temos um futuro glorioso pela frente.
DIAS ATUAIS
A KKSS é uma comunidade S&P (sigla proveniente de Spanish-Portuguese, termo em inglês para judeus hispano-portugueses) e é a única desse tipo na América do Sul. Seguimos o rito originário de nossos antepassados, caracterizado pela gravidade no comportamento e pelo uso de vestimentas tradicionais durante o Santo Serviço.
Mantemos também laços de comunicação com a maioria das comunidades S&P ao redor do mundo, incluindo nossa Esnoga Mãe, em Amsterdã, bem como outras esnogas irmãs na América do Norte e na Europa. Nossos esnogueiros participam ativamente da sociedade do Rio de Janeiro, contribuindo para o desenvolvimento local em diversos setores, como o empresariado, o serviço público, o meio militar e o campo acadêmico.